1. Visão geral do modelo
O simulador implementa um modelo de balanço energético hora a hora para sistemas fotovoltaicos com armazenamento em bateria operando em regime Zero Grid — isto é, sem injeção de excedente na rede pública. A simulação consome séries horárias reais de geração solar e de carga elétrica de cada unidade consumidora e produz indicadores físicos (kWh) e financeiros (R$, %, anos).
A lógica segue uma cascata de prioridades a cada hora t: (1) a geração solar atende diretamente a carga; (2) o excedente solar carrega a bateria, respeitando capacidade útil e eficiência de carga; (3) o déficit residual é coberto pela bateria, respeitando o estado de carga (SoC) e a eficiência de descarga; (4) o que ainda restar é importado da rede; (5) o solar que não pôde ser usado nem armazenado é descartado (curtailment).
2. Dados de entrada
2.1 Séries horárias por unidade
Cada unidade carrega um JSON pré-processado em public/data/processed/<slug>.json contendo um vetor de tuplas [mês, dia, hora, solar_kWh, carga_kWh]. As séries podem cobrir períodos distintos (ex.: algumas unidades têm dados até dezembro e outras até junho) — por isso o simulador anualiza os totais e permite filtrar quais meses entram no cálculo.
2.2 Parâmetros configuráveis
| Parâmetro | Símbolo | Unidade | Descrição |
|---|---|---|---|
| Tarifa de energia | T | R$/kWh | Preço unitário pago à concessionária. |
| Potência da usina | P_kWp | kWp | Capacidade nominal da geração FV (escala a série solar de referência). |
| CAPEX usina | c_usina | R$/kWp | Custo unitário da usina FV (default 4.500). |
| Nº de módulos de bateria | N_bat | — | Quantidade de módulos do banco. |
| Capacidade por módulo | C_mod | kWh | Capacidade bruta nominal de cada módulo. |
| Eficiência round-trip | η | 0–1 | Rendimento total do ciclo carga→descarga. |
| Profundidade de descarga | DoD | 0–1 | Fração utilizável da capacidade bruta. |
| SoC inicial | SoC₀ | 0–1 | Estado de carga no início da simulação. |
| Taxa de desconto | i | % a.a. | Custo de capital usado no VPL. |
| Horizonte do projeto | n | anos | Período de análise financeira. |
| Reajuste tarifário | r_T | % a.a. | Inflação esperada da tarifa. |
| Degradação da bateria | δ_bat | % a.a. | Perda anual de capacidade efetiva. |
| OPEX (% CAPEX) | o | % a.a. | Custo operacional como fração do CAPEX. |
3. Modelo de despacho horário
A geração solar bruta da série de referência é escalada pela razão entre a potência instalada configurada e a potência da série de referência:
A capacidade útil do banco e os rendimentos parciais são:
3.1 Cascata de despacho a cada hora t
- Atendimento direto:
direto_t = min(S_t, L_t). RestaS'_t = S_t − direto_teL'_t = L_t − direto_t. - Carga da bateria com excedente solar: o espaço disponível é
(C_util − SoC_t). A energia solar que cabe no banco antes da eficiência é(C_util − SoC_t)/η_c. Carregamoscarga_t = min(S'_t, (C_util − SoC_t)/η_c)e atualizamosSoC_t ← SoC_t + carga_t × η_c. - Curtailment (Zero Grid):
curt_t = S'_t − carga_t. Em Zero Grid esta energia é descartada (não há injeção na rede). - Descarga da bateria para a carga: precisamos
L'_t/η_dde energia útil saindo do banco. Tiramostirar = min(SoC_t, L'_t/η_d), entregamosdesc_t = tirar × η_de atualizamosSoC_t ← SoC_t − tirar. - Importação da rede:
rede_t = max(0, L'_t − desc_t).
O SoC é mantido em kWh já úteis (após a eficiência de carga), entre 0 e C_util. A curva média de SoC por hora do dia, exibida no painel, é a média aritmética de SoC_t agrupada por hora h ∈ [0,23].
4. KPIs energéticos
5. Resumo Executivo — indicadores mensais e financeiros
O painel 📊 Indicadores Energéticos e Financeiros (Resumo Executivo) consolida, em cards clicáveis, os principais resultados do projeto. Cada card abre um modal ampliado com fórmula e unidade, e permite navegação entre indicadores correlatos (ex.: par kWh ↔ R$ de armazenamento e geração aproveitada).
5.1 Indicadores financeiros principais
5.2 Indicadores mensais de armazenamento e aproveitamento
Os quatro cards a seguir convertem os totais do período em médias mensais (já anualizadas pelo fator 365 / dias_avaliados), facilitando leitura executiva e comparação direta com a fatura mensal de energia.
5.3 Indicadores de eficiência e operação
6. Anualização
Como cada unidade pode ter um período de cobertura diferente, todos os totais físicos são extrapolados para um ano completo pelo fator:
Daí derivam E_carga^anual, E_aproveitada^anual, E_rede^anual e o consumo médio mensal:
Os meses selecionáveis no painel filtram a série antes da anualização — útil para isolar sazonalidades ou comparar unidades com janelas distintas.
7. Modelo financeiro
7.1 CAPEX e OPEX
7.2 Receita anual (energia evitada)
A receita do projeto é a economia gerada pela energia que deixou de ser comprada da rede. Para incorporar reajuste tarifário e degradação de bateria, separamos a contribuição direta (não degrada) da bateria (degrada):
7.3 Fluxo de caixa, VPL, TIR e payback
A TIR aproximada é resolvida numericamente por bisseção sobre a equação VPL(i*) = 0 no intervalo (−0,99; 5,0). O payback simples é CAPEX / Economia_anual; o payback descontado é o ano em que o fluxo descontado acumulado cruza zero, com interpolação linear entre os anos adjacentes.
8. Comparação de cenários
O modo de comparação executa uma segunda simulação B sobre os mesmos parâmetros, alterando apenas o número de módulos de bateria (ex.: sem bateria vs. configuração corrente). A tabela lado a lado destaca, para cada KPI, qual cenário é melhor, segundo o critério adequado:
| KPI | Critério |
|---|---|
| VPL, TIR, Autossuficiência, Economia anual | Maior é melhor |
| Payback simples, Payback descontado, CAPEX, Curtailment | Menor é melhor |
9. Premissas, limitações e boas práticas
- Zero Grid estrito: nenhuma injeção na rede; excedente sempre vira curtailment quando a bateria está cheia.
- Eficiência simétrica: assume
η_c = η_d = √η. Bancos reais podem ter assimetria de até alguns pontos percentuais. - Degradação linear: a perda de capacidade é modelada como
(1 − δ_bat)^{t−1}. Em projetos longos, perfis empíricos com queda acentuada nos primeiros ciclos podem ser mais realistas. - Tarifa única: não modela posto tarifário (ponta/fora de ponta) nem bandeiras. Para tarifa branca/horária, recomenda-se substituir
Tpor um vetor horárioT_t. - Sem custos de reposição: o modelo não inclui troca de inversor ou de banco de baterias dentro do horizonte. Para horizontes > 10 anos, considere adicionar um fluxo negativo no ano da reposição esperada.
- Anualização linear: o fator
365/dias_avaliadosassume que a janela amostrada é representativa do ano. Use o filtro de meses para evitar sazonalidades enviesadas.
10. Glossário
| Termo | Definição |
|---|---|
| kWp | Quilowatt-pico — potência nominal da usina FV em condições padrão. |
| kWh | Quilowatt-hora — energia equivalente a 1 kW durante 1 hora. |
| SoC | State of Charge — estado de carga da bateria (0–100% da capacidade útil). |
| DoD | Depth of Discharge — fração da capacidade bruta efetivamente usável. |
| Round-trip | Eficiência total do ciclo carregar→armazenar→descarregar. |
| Curtailment | Energia gerada e descartada por não haver consumo nem espaço de armazenamento. |
| VPL | Valor Presente Líquido dos fluxos de caixa do projeto. |
| TIR | Taxa Interna de Retorno — taxa que zera o VPL. |
| CAPEX | Capital Expenditure — investimento inicial. |
| OPEX | Operational Expenditure — custo operacional anual recorrente. |
| Zero Grid | Topologia em que a usina não injeta excedente na rede. |